30.10.12

Se eu pudesse



Se eu pudesse, sentava-me no sofá a olhar lá para fora e a pensar que não há nada melhor na vida do que amar, do que sentir o sentimento mais puro, mais raro e mais verdadeiro que há: o amor que sinto por ti! Se eu pudesse, agarrava-te todos os dias nos meus braços. Agarrava-te e não te largava nunca mais. Adormecia a teu lado, entrava nos teus sonhos e pintava-os de cores alegres, sorrisos, beijos, maluquices e sons perfeitos, e depois? Depois acordava ao teu lado e dava-te a mão até acordares, à espera que começasses o teu dia ao meu lado, sereno, seguro, tranquilo, feliz contigo, comigo e com o mundo. Se eu pudesse levava-te para um lugar onde nunca fomos. Não sabias nada mas confiavas em tudo, confiavas em mim e então descobriríamos esse lugar juntos, um lugar onde só tu e eu importássemos, afastados de tudo e de todos, de todas as mágoas, de todos os sofrimentos, de todas as chatices, de todos os erros e amava-te durante horas e horas e sem tempo, até adormeceres de novo a meu lado. E de olhos fechados, poderíamos imaginar a vida que sonhamos mas ainda não conhecemos, podíamos ver o futuro a passar-nos à frente e aí perceberíamos que podemos ter aquilo que sempre quisemos, que nada é impossível quando o que queremos é verdadeiro e está certo, ao lado da pessoa certa.   Se eu pudesse, voltava ao princípio e ía mais devagar, falava mais e ouvia-te menos, ensinava-te todas as palavras que não conheces ou já esqueceste: tolerância, confiança, partilha, construção, paixão. Esquecia-me de todos os teus defeitos e erros e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem rafeiras nem rafeiros pelo meio, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos. Só com o nosso amor. Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentava-me ao teu lado e explicava-te porque é que um dia reparei que existias e te entreguei o meu coração e a minha alma. Se eu pudesse saía de casa, ía para um canto qualquer onde só houvesse espaço para nós dois. Esquecia tudo, todas as complicações, todas as proibições dos pais, todas as discussões. Perdia-me do meu mundo e começava logo de seguida a construir o nosso. Começava pelas bases. Pelos sorrisos que começaram a surgir entre nós, pelas brincadeiras, pelos abraços insignificantes (para quem não os percebia e sentia), porque para mim eram um acolhimento, era o princípio do interminável. 
Se eu pudesse fazia tudo isto, mas… sozinha? Sozinha não posso, sozinha não tenho forças, sozinha não sou capaz porque ninguém caminha
sozinho e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu? Eu sou apenas uma gota de água nesse rio parado, uma peça fora da caixa do puzzle, um mapa que se esqueceu dos caminhos e das rotas, uma folha em branco, uma voz sem som, uma mão sem dedos, um corpo sem coração, um coração sem amor, vazio, oco. 
E por isso? Por isso eu preciso de ti a meu lado. 

22.10.12

Não me deixes


Acabou de cair tudo. A lua que se mantinha lá no alto acabou de tombar. As aves que teimavam em voar sobre mim caíram mortas na terra e foram devoradas por esfomeados. O sol que apareceu depois da queda da Lua também desapareceu, só não caiu porque já não havia solo para o manter. Estou com medo de me deixar cair, de me deixar levar por esfomeados, que me pisem até ao ponto de rebentar com o pouco que ainda tenho, com medo desses predadores e parasitas que se aproveitam dos fragilizados da vida. Já pensei fugir, mas não iria adiantar porque o solo é todo o mesmo. Já pensei construir barreiras, muros altos, mas não servem de nada, os esfomeados são todos desenvolvidos, de tal forma que para eles seria algo tão simples de destruir. Tombam-me os joelhos, elevo as mãos à cabeça, chamo por alguém que me ajude e me liberte deste inferno, que me tire estas roupas usadas, estas memórias, esta vida que nunca foi minha e que me leve para um lugar mais calmo e sereno onde tudo seja simples e lindo. Abraça-me, guia-me por este mundo de corpos, meras estruturas ósseas, que não sentem o que é bom e o que é menos bom. Leva-me para um mundo de corpos ocupados por almas que pensam e refletem sobre isto e aquilo. Não me deixes caminhar sozinha. Está tudo a cair e tenho medo.


19.10.12

Coração machucado


Um bocado de papel
Um coração machucado
Uma pala e um pincel
E está o quadro acabado

Porquê desenhá-lo remendado?
Irão vocês perguntar
Porque neste mundo sagrado
Não sabem todos amar

Uns permanecem com falsas promessas
Outros algumas voltas tentam dar
Mas pra quê andar com esperanças
Quando o coração todo o mal consegue olhar


13.10.12

Nem sempre...






Nem sempre digo tudo que quero
Nem sempre sinto tudo que desejaria sentir
Mas por ti aqui eu sempre espero
Porque estou sempre pronta para competir

Às vezes sonho contigo
Outras vezes tenho visões
Mas nem o meu pior inimigo
Vai acabar com as minhas ilusões

11.10.12

Lugares secretos



Na terra eu estou
No céu irei estar
Mas ainda não é tarde
Para te poder amar

Hoje estou aqui
Amanhã estarei além
Mas longe daqui
Vou pensar em ti, meu bem!

8.10.12

Fortaleza




Vais sentir em mim de tudo um pouco. Vais-me recordar no luar, e talvez no mar. Caminhando sozinha vou pensando. O vento vem-me batendo na face fazendo voar o meu longo e belo cabelo. Vou andando. Vou procurando algo que nem eu sei o que é. Mas procuro. Vou subir aquele monte e vou-me atirar sem saber se me vais amparar. Vou-me lançar ao mar e deixar-me levar até que tu me salves, se salvares. Mas agora estou a pensar: se o rio corre para o mar, eu correrei para quem? Não sou água, não sou areia que se deixa levar pela corrente. Sou eu, eu só... Sou eu com medo de ir, com medo de enfrentar o que possa acontecer, tudo que possa aparecer, porque não sei o que estará para lá dos meus horizontes, do nevoeiro que nada me deixa ver, da imagem desfocada que os meus olhos não focam. Neste momento cai-me uma lágrima por não saber o que está para lá da linha. Como podes ver, sou mais que uma ave que voa pelo cimo do monte, sou mais que um ser aquático que se lança ao mar, sou mais forte que a corrente de água que corre nos riachos. Sou eu, eu só... Sou eu que luto, sou eu que venço e um dia dar-te-ei a minha mão para percorreres o mundo da maneira que eu o percorri. A vida é enfrentada com medo mas o nosso maior medo é termos medo da vida, por isso, não tenhas medo de me dar a mão.


7.10.12

O desejo de querer estar contigo



Sentada na areia da nossa praia fecho os olhos, num abraço de saudade. Deixo-me levar, guiada pelas ondas maravilhosas que me levam para perto de ti. Fecho os olhos e oiço as palavras que tinhas para me dizer e que nunca disseste. O medo sempre te ganhou, mais por necessidade do que por dever, porque pensavas que nunca te ia querer. Passou a brisa do mar. O vento levou o medo. Comecei a ouvir as palavras mudas que me dedicaste durante anos e num instante os teus lábios pousaram sobre a minha pele arrefecida pela ausência e distância que sempre nos afastou. O meu coração acelerava de uma forma irrecuperável, a minha respiração estava incontrolável e o meu corpo vibrava. Explorando tudo o que faltava explorar, o meu corpo foi percorrido pelo enorme prazer que eu sentia em estar contigo. Entretanto, perdidos em areais de carícias onde rebentam ondas de amor, abri os olhos e percebi que foi apenas mais um sonho contigo.



6.10.12

A caminhada




Caminhando com os cabelos ao vento, vou pensando em tudo o que já me aconteceu, nas inúmeras sensações boas e menos boas pelas quais fui obrigada atravessar assim, despida de sonhos e com as roupas imundas de vontades apodrecidas no tempo. Elevando as mãos à cara, sinto uma humidade maravilhosa, humidade que faz com que eu me torne humana, que me faça sentir que não sirvo apenas para destruir mas também para construir. Tombam-me os joelhos e sinto saudades, saudades absurdas mas doídas, saudades incompreensíveis mas existentes… Sinto saudades tuas, saudades dos segundos que olhaste nos meus olhos e viste bem fundo. Admirei-te pela intensidade e vontade que tentavas descobrir o que diante de ti estava, mas partiste e não voltaste. Levanto-me e digo: prometo que vou seguir em frente, dando as mãos ao vento, beijos ao luar, e vivendo sem pensar.

5.10.12

Ó vento


As palavras são o alimento dos ventos. Dos que vêm de frente ou de trás que nos transformam em animais cruéis com medo do que possa vir. As palavras são levadas tal como os nossos inúmeros pensamentos que nos deixam menos humanos, que nos fazem questionar o que somos e para quê é que somos. Mesmo que não queiramos, mesmo que sejamos apunhalados e enforcados, as palavras são levadas até ao ponto de nos tornarmos incapacitados de pedir ajuda, como se a nossa garganta libertasse sons mudos de seres estúpidos. Às vezes as palavras não têm uso. Elas partem quando não queremos e quando temos algo a dizer perdem-se. As palavras? Para quê é que queremos nós as palavras se uma simples palavra não muda a raiva que estou a sentir quando vejo tudo o que podia ter dito e nunca disse. Tenta enfrentar o vento quando ele vem de frente para te tirar as palavras com atitude, mostra-te mais forte, um animal cruel mas racional, um ser vivo! O vento tira as palavras. A morte tira a vida. Inútil foram as palavras e o tempo que perdi, mas aprendi que deixei muito por dizer por ter medo de ti ó vento.