
Se eu
pudesse, sentava-me no sofá a olhar lá para fora e a pensar que não há nada
melhor na vida do que amar, do que sentir o sentimento mais puro, mais raro e
mais verdadeiro que há: o amor que sinto por ti! Se eu pudesse, agarrava-te
todos os dias nos meus braços. Agarrava-te e não te largava nunca mais. Adormecia
a teu lado, entrava nos teus sonhos e pintava-os de cores alegres, sorrisos,
beijos, maluquices e sons perfeitos, e depois? Depois acordava ao teu lado e
dava-te a mão até acordares, à espera que começasses o teu dia ao meu lado,
sereno, seguro, tranquilo, feliz contigo, comigo e com o mundo. Se eu pudesse levava-te
para um lugar onde nunca fomos. Não sabias nada mas confiavas em tudo,
confiavas em mim e então descobriríamos esse lugar juntos, um lugar onde só tu
e eu importássemos, afastados de tudo e de todos, de todas as mágoas, de todos
os sofrimentos, de todas as chatices, de todos os erros e amava-te durante
horas e horas e sem tempo, até adormeceres de novo a meu lado. E de olhos
fechados, poderíamos imaginar a vida que sonhamos mas ainda não conhecemos,
podíamos ver o futuro a passar-nos à frente e aí perceberíamos que podemos ter
aquilo que sempre quisemos, que nada é impossível quando o que queremos é
verdadeiro e está certo, ao lado da pessoa certa. Se eu pudesse, voltava ao
princípio e ía mais devagar, falava mais e ouvia-te menos, ensinava-te todas as
palavras que não conheces ou já esqueceste: tolerância, confiança, partilha,
construção, paixão. Esquecia-me de todos os teus defeitos e erros e tu dos meus
e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem
rafeiras nem rafeiros pelo meio, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos.
Só com o nosso amor. Se eu pudesse, levava-te
agora para casa, sentava-me ao teu lado e explicava-te porque é que um dia
reparei que existias e te entreguei o meu coração e a minha alma. Se eu pudesse saía de casa, ía para um canto qualquer onde só houvesse espaço
para nós dois. Esquecia tudo, todas as complicações, todas as proibições dos
pais, todas as discussões. Perdia-me do meu mundo e começava logo de seguida a
construir o nosso. Começava pelas bases. Pelos sorrisos que começaram a surgir
entre nós, pelas brincadeiras, pelos abraços insignificantes (para quem não os
percebia e sentia), porque para mim eram um acolhimento, era o princípio do
interminável.
Se eu pudesse fazia tudo
isto, mas… sozinha? Sozinha não posso, sozinha não tenho forças, sozinha não sou
capaz porque ninguém caminha
sozinho e o rio só corre se a corrente o empurrar. E
eu? Eu sou apenas uma gota de água nesse rio parado, uma peça fora da caixa do
puzzle, um mapa que se esqueceu dos caminhos e das rotas, uma folha em branco,
uma voz sem som, uma mão sem dedos, um corpo sem coração, um coração sem amor,
vazio, oco.
E por isso? Por isso eu
preciso de ti a meu lado.





