Vais
sentir em mim de tudo um pouco. Vais-me recordar no luar, e talvez no mar.
Caminhando sozinha vou pensando. O vento vem-me batendo na face fazendo voar o
meu longo e belo cabelo. Vou andando. Vou procurando algo que nem eu sei o que
é. Mas procuro. Vou subir aquele monte e vou-me atirar sem saber se me vais
amparar. Vou-me lançar ao mar e deixar-me levar até que tu me salves, se
salvares. Mas agora estou a pensar: se o rio corre para o mar, eu correrei para
quem? Não sou água, não sou areia que se deixa levar pela corrente. Sou eu, eu
só... Sou eu com medo de ir, com medo de enfrentar o que possa acontecer, tudo
que possa aparecer, porque não sei o que estará para lá dos meus horizontes, do
nevoeiro que nada me deixa ver, da imagem desfocada que os meus olhos não
focam. Neste momento cai-me uma lágrima por não saber o que está para lá da
linha. Como podes ver, sou mais que uma ave que voa pelo cimo do monte, sou
mais que um ser aquático que se lança ao mar, sou mais forte que a corrente de
água que corre nos riachos. Sou eu, eu só... Sou eu que luto, sou eu que venço
e um dia dar-te-ei a minha mão para percorreres o mundo da maneira que eu o
percorri. A vida é enfrentada com medo mas o nosso maior medo é termos medo da
vida, por isso, não tenhas medo de me dar a mão.

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